Por que todos os pais deveriam assistir ao filme Clube dos cinco?

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O Clube dos cinco - Breakfast Club, 1985.
Clube dos cinco, um sucesso dos anos 80, parece ser apenas mais um filme comum voltado para jovens rebeldes, mas ao contrário do que você imagina, há muito mais por trás dessa história. Já assisti repetidas vezes e perdi a conta de quantas vezes me emocionei.
Para quem ainda não assistiu, o filme conta a história de 5 jovens que ficam de castigo durante o horário escolar, em um sábado, e como parte dessa punição são obrigados a escrever um redação falando sobre o que pensavam de si mesmos. O desenrolar do filme é focado nos jovens, em seus desabafos, expectativas, sentimentos, frustrações e tudo o que envolve o mundo adolescente. Mas o que mais chama atenção nesse contexto todo é a forma que os jovens veem os seus pais e a pressão psicológica que sofrem sobre as suas vidas.

A adolescência é a fase da descoberta, de novas opiniões, um turbilhão de emoções e carregar o peso de uma vida que não é sua, não ajuda em nada a passar por esse momento. Pais que discutem incessavelmente, brigam e gritam...
Pais que são realizados em suas profissões ou que carregam frustrações de vida e que soltam uma enorme mala emocional e profissional sobre seus filhos, tentando encaixar em em suas mentes que devem seguir ou não o mesmo caminho. Mas isso é o correto para quem?

Exemplificando:
Seu pai sempre sonhou em ser médico, mas por motivos diversos não conseguiu, causando em sua vida uma frustração enorme, muitas vezes não dita. Então você nasce e com você vem a esperança de novos sonhos e possibilidades...
Começa a trajetória do ensino fundamental, ensino médio e o tão famoso vestibular. Não tem como negar que a pressão de fazer uma faculdade é enorme, muitas vezes nós não conseguimos decidir o que fazer no futuro (até porque ainda nem decidimos o que fazer no presente), nem como encaixar isso em uma vida que ainda não nos pertence. Seu pai quer que você seja médico!

Você dever fazer medicina! Medicina, medicina, você será um grande médico!

Essas palavras ecoam na sua cabeça, você  tem medo de magoar o seu pai e toda aquela expectativa de vida que ele criou desde o seu nascimento.
Você se sente culpado, mas ele também nunca foi inocente! Quantas vezes ele se sentou para conversar com você, saber sobre as suas dúvidas e medos? Ele nunca te deu a oportunidade de falar o que você queria fazer, que você não suporta ver sangue, que não assiste filmes de terror por conta disso e que essa nunca foi e nunca seria a sua primeira escolha.

Frustração:
Você tem medo de falar a verdade, tem medo da reação dele e não quer magoá-lo. É aí que começa o circulo da frustração! Você tem medo de desapontá-lo, ''encara'' o seu medo, cursa o que ele sempre sonhou e se forma.
Alguns anos mais tarde, se vê na sala de espera enquanto sua esposa grita a vinda de uma nova vida. Ali no corredor, ao andar de um lado para o outro, vê a sua vida toda passando como um filme em sua cabeça. Pensa nas coisas que queria ter dito, nas coisas que queria ter feito, no peso que carregou quando na verdade a mala não era sua. Você pega a criança no colo, olha para ela e pensa: Eu não serei igual aos meus pais, eu vou fazer diferente, eu vou deixar você ser o que quiser!

Então você lembra o quão feliz você seria se tivesse cursado turismo, ter viajado o mundo e conhecido novos lugares e pessoas...

Diálogo:
Os pais acham que o único momento em que precisam sentar para conversar com os filhos, são quando precisam falar sobre sexo e mesmo assim, muitas vezes, acabam não o fazendo. A adolescência é uma fase difícil, você pode achar besteira que o seu filho não esteja mais falando com o melhor amigo, que tenha brigado, que tenha sido pego bebendo atrás da escola e pensar: Ah é só uma fase, logo vai passar...
Eu tenho uma coisa para te dizer, não vai! Se você não liga para o que o seu filho faz, ele também não vai se importar com o que você pensa. Evite um vida de sonhos não realizados e de palavras não ditas, tire pelo menos um dia da sua semana para conversar com ele, conte sobre a sua vida, sobre as coisas que fez, sobre as que não fez, deixe ele montar seus próprios pensamentos e desabafar, garanto que assim o relacionamento de vocês será muito melhor, dando-lhe a liberdade de te dizer o que sempre o incomodou.

Conselho:
Esse é apenas um exemplo, quantas coisas mais e problemas se passam na cabeça dos filhos? Eu não estou aqui para julgar e dizer que você tem, ou são, péssimo pais, também não estou dizendo para deixá-los livres de regras. Brigas, batidas de porta, volume alto no som, falsa greve de fome, choro e birras sempre irão existir, afinal, são apenas adolescentes, faz parte dessa fase.
Então aqui fica o conselho de uma pessoa que também é filha, e se sentiu na necessidade de falar sobre o relacionamento familiar e tentar explicar como pequenos detalhes podem mudar nossas perspectivas.
Queridos senhores pais, corram até a locadora mais próxima! E se você já assistiu a esse filme, recomendo assistir novamente para tentar vê-lo de outra forma, se isso não mudar a forma que você vê o seu filho, você já deve ter criado expectativas demais em cima dele.
Aqui fica o meu conselho, nunca é tarde para recomeçar!


Bruna Carolina, Meu sonho vintage.

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